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Assente › Comissões de barbeiro

Guia · Portugal · actualizado em agosto de 2026

Como se divide a comissão numa barbearia em Portugal.

Escrevi isto porque procurei e não estava escrito em lado nenhum. Em português de Portugal, sobre barbearias portuguesas, com IVA português e recibos portugueses: não há. Há muita coisa boa escrita no Brasil, onde as contas são outras, e há muito fórum onde a resposta é “depende”. Depende, sim — mas depende de coisas que se podem nomear.

Chamo-me Tiago Silva, tenho uma barbearia em Ermesinde e passei meses a fazer esta conta à mão, com o caderno e a calculadora do telemóvel, ao fim de dias inteiros em pé. O que está aqui é o que aprendi a fazer e o que vi correr mal — a mim e a colegas. Não é aconselhamento fiscal nem jurídico, e onde a coisa for de contabilista digo-o.

01

Os modelos que se praticam, e para quem serve cada um.

Comece-se pelo mais importante, que quase nunca se diz: não há percentagem legal, não há tabela oficial e não há mínimo imposto por lei. A comissão é o que as duas partes combinarem. Quando alguém te disser “o normal é X”, está a dizer-te o que viu, não o que está escrito em lado nenhum.

Dito isso, o que se pratica em Portugal cabe em meia dúzia de modelos. A percentagem sobe quando o barbeiro traz clientela própria, material próprio ou nome próprio; desce quando a casa fornece tudo — cadeira, produto, marcações, publicidade, luz e o cliente que entrou pela porta sem saber quem o vai atender.

50/50 — metade para cada um

O mais fácil de explicar e o mais fácil de conferir, que não é pouco. Usa-se muito quando a casa fornece tudo e o barbeiro entra só com as mãos. Tem a virtude de não precisar de calculadora: qualquer pessoa confere a conta de cabeça, e uma conta que se confere de cabeça é uma conta sobre a qual não se discute.

55/45 e 60/40 — a favor do barbeiro

É o que se vê quando o barbeiro já tem clientela que o procura pelo nome, ou quando a casa quer segurar alguém que está a ser cortejado pela concorrência. O 60/40 costuma vir com contrapartidas: o barbeiro traz o seu material, ou assume horários que ninguém quer, ou não tem fixo nenhum por baixo.

Fixo mais comissão

Um vencimento base (que, num contrato de trabalho, nunca pode ser inferior ao salário mínimo nacional para o horário praticado) e uma percentagem por cima, muitas vezes só a partir de um determinado valor faturado. É o modelo mais justo para quem está a começar — dá-lhe chão nos meses maus — e o mais previsível para a casa. Também é o que exige contas mais claras, porque há duas parcelas a explicar em vez de uma.

Escalonado, ou progressivo

A percentagem sobe por patamares de faturação: 45% até 1.500 € no mês, 50% entre 1.500 e 2.500 €, 55% acima disso. Alinha bem os interesses e é o que melhor premeia quem cresce. O erro clássico é não dizer se a subida se aplica só ao que passa do patamar ou a tudo o que se faturou nesse mês. São duas contas muito diferentes e é sempre no dia 30 que se descobre que cada um percebeu a sua.

Aluguer de cadeira

Não é comissão nenhuma, e é importante não confundir: o barbeiro é independente, passa recibo aos seus clientes ou à casa, e paga uma renda fixa pelo espaço (por vezes renda mais uma percentagem pequena). A casa não divide dinheiro nenhum — recebe uma renda. Está a crescer em Portugal e tem regras próprias, laborais e fiscais, que não são as de um contrato de trabalho. Se é isto que tens, o que está no resto desta página quase todo não te serve.

02

Com IVA ou sem IVA? É aqui que nasce quase toda a discussão.

Esta é a parte que não existe no conteúdo brasileiro e é a que custa mais dinheiro a quem a ignora.

Serviços de barbearia e cabeleireiro estão sujeitos à taxa normal de IVA — 23% no continente, 22% na Madeira e 16% nos Açores. Não constam das listas de taxa reduzida nem intermédia do Código do IVA; existe até uma petição pública a pedir a descida para os 13%, o que confirma onde estão hoje.

Isso quer dizer que, se a tua barbearia está no regime normal, aquele corte de 12 € que o cliente pagou não são 12 € de receita da casa. São 9,76 € de receita e 2,24 € de IVA que vais entregar ao Estado. O IVA passa pela caixa, mas nunca foi teu.

E aqui está a pergunta: os 55% do barbeiro calculam-se sobre os 12 € ou sobre os 9,76 €?

Um corte de 12 € com comissão de 55%, no continente
Base de cálculoBarbeiroCasa (antes de IVA)IVA a entregarCasa (depois de IVA)
Sobre 12,00 € (com IVA)6,60 €5,40 €2,24 €3,16 €
Sobre 9,76 € (sem IVA)5,37 €4,39 €2,24 €4,39 €
1,23 € por corte

É a diferença entre as duas contas num único corte de 12 €. Num barbeiro que faça 10 cortes por dia, 24 dias por mês, são cerca de 295 € por mês a mudar de bolso — a partir de uma frase que ninguém escreveu.

Qual das duas está certa? As duas. Nenhuma é ilegal e as duas se praticam. O que não pode acontecer é não estar combinado, porque então cada um faz a conta que lhe convém e a discussão é inevitável — e não é uma discussão de matemática, é uma discussão de confiança, que é bem pior de resolver.

Se calculares sobre o valor com IVA, faz a conta antes de assinar: repara na coluna da direita da tabela. A casa fica com 3,16 € de um corte de 12 € para pagar renda, luz, produtos, cadeiras, seguros e contabilista. Se calculares sobre o líquido, diz ao barbeiro porquê, com a conta à frente. Ninguém aceita de bom grado uma percentagem sobre um número mais pequeno se não perceber de onde vem o número mais pequeno.

Se estás isento de IVA, esta secção não te diz respeito

O regime de isenção do artigo 53.º do CIVA aplica-se a quem, no ano civil anterior, não ultrapassou os 15.000 € de volume de negócios (limite em vigor em 2025 e mantido em 2026), sem exportações. Quem está neste regime não acrescenta IVA e também não deduz o IVA das compras. Se durante o ano ultrapassares 18.750 € (os 15.000 € mais 25%), passas de imediato ao regime normal e tens de comunicar no Portal das Finanças. Nesse dia, a tua conta da comissão muda — e é melhor teres previsto isso no acordo do que descobri-lo com a equipa à frente.

03

Gorjetas: de quem são, e o que o fisco tem a dizer.

A regra que evita 90% dos problemas cabe numa linha: a gorjeta é de quem a recebeu e não entra na divisão. Foi dada a uma pessoa, por causa do trabalho daquela pessoa. A casa que fica com uma percentagem das gorjetas está a mandar à equipa a pior mensagem possível pelo dinheiro mais pequeno da caixa.

Há casas com tronco comum — junta-se tudo e divide-se pela equipa, às vezes incluindo quem lava cabeças e quem atende ao balcão. Funciona onde há muito trabalho de equipa. Mas só funciona se for decidido em conjunto, à partida, e nunca imposto a meio. Mudar a regra das gorjetas a meio de um mês é a maneira mais rápida de perder um barbeiro bom.

O que muda por serem gorjetas e não comissão

Em Portugal, as gorjetas não atribuídas pela entidade patronal — ou seja, as que o cliente dá directamente — têm um tratamento próprio:

  • São rendimento da categoria A em IRS, sujeitas a tributação autónoma à taxa de 10%.
  • Não estão sujeitas a Taxa Social Única — não entram na base de incidência da Segurança Social, nem para o trabalhador nem para a entidade empregadora.
  • Declaram-se no quadro 4-A do anexo A da declaração de IRS, com o código 402.

Isto tem uma consequência prática que muita gente não vê: uma gorjeta e uma comissão do mesmo valor não valem o mesmo para nenhuma das partes. Não é por isso que se deve disfarçar comissão de gorjeta — isso chama-se outra coisa e o problema que cria é maior do que o que resolve — mas é razão que chegue para as manter separadas e bem identificadas no registo do dia.

E a gorjeta que vem no multibanco? Aí passa pela caixa da casa, o que levanta uma questão de tesouraria que a gorjeta em dinheiro não levanta: o barbeiro só a recebe quando a casa lha entregar. Combina quando — ao fim do dia, à semana, com o acerto do mês — e escreve-o. E regista a gorjeta de MB WAY como gorjeta, não como serviço, ou ela entra na divisão sem ninguém querer.

04

Produtos: porque é que a percentagem tem de ser outra.

Num serviço, a matéria-prima é o tempo do barbeiro. Num produto, a casa já pagou o produto — e a margem que sobra é bem mais curta do que parece.

Uma pomada comprada a 8 € e vendida a 14 € deixa 6 € de margem bruta. Se lhe aplicares os mesmos 55% que aplicas aos serviços — 7,70 € ao barbeiro — estás a vender com prejuízo: recebeste 14, pagaste 8 pelo produto e deste 7,70 de comissão. Ficas a perder 1,70 € em cada pomada que vendes, e ainda tens IVA para entregar por cima. Vender mais passa a custar-te dinheiro.

As duas formas sãs de fazer isto:

  • Percentagem sobre o preço de venda, mais baixa. Entre 10% e 20% é o que se vê. Simples de explicar e de conferir.
  • Percentagem sobre a margem. Ex.: 30% dos 6 € de margem, que dá 1,80 €. É mais justo, mas obriga a ter os preços de compra em dia e a mostrá-los a quem vende — e há donos que não querem isso.

Seja qual for, o produto tem de ter percentagem própria, separada da dos serviços. E há um caso que merece regra escrita: o produto que o barbeiro usa no corte e o cliente acaba por levar. É venda de quem o usou, ou de quem estava ao balcão quando ele pagou?

05

Bónus por objetivo: quando ajuda e quando envenena.

Um bónus bem feito é a percentagem a subir quando se passa um valor combinado — por exemplo, quem faturar mais de 150 € num dia ganha 60% em vez de 55% nos cortes desse dia. Dá à equipa uma razão concreta para não mandar o cliente das seis e meia embora.

Um bónus mal feito é o mesmo bónus sem quatro respostas escritas:

  • O objetivo é diário, semanal ou mensal? Um objetivo diário castiga a terça-feira de chuva. Um objetivo mensal deixa o barbeiro sem saber onde está até ao dia 25.
  • A percentagem maior aplica-se a tudo, ou só ao que passa do objetivo? A pergunta do escalonado, outra vez, e a resposta é outra vez o dia 30.
  • Contam gorjetas e produtos para o objetivo? Se contarem gorjetas, acabaste de dar à equipa uma razão para pedir gorjeta ao cliente. Pensa duas vezes.
  • E se o dia correr mal por culpa da casa? Cadeira avariada, corte de luz, falta de produto. Vale a pena dizer, no acordo, o que acontece nesse dia.

A regra que uso: o bónus tem de caber numa frase que o barbeiro consiga repetir de cor. Se não couber, ninguém trabalha para ele — e um bónus que ninguém persegue é só uma despesa a mais no dia em que calha.

06

Um dia inteiro, conta a conta.

Uma barbearia no continente, no regime normal de IVA, dois barbeiros, 55% ao barbeiro nos serviços e 15% nos produtos. Um sábado qualquer.

O que entrouQuemValor
8 cortes a 12,00 €João96,00 €
1 corte + barba a 18,00 €João18,00 €
6 cortes a 12,00 €Rui72,00 €
2 barbas a 8,00 €Rui16,00 €
1 pomada a 14,00 €João14,00 €
Total faturado216,00 €
Gorjeta em dinheiroJoão7,00 €
Gorjeta em MB WAYRui4,50 €

Contando a comissão sobre o valor cobrado (com IVA)

JoãoRuiCasa
Serviços114,00 × 55% = 62,7088,00 × 55% = 48,4090,90
Produto14,00 × 15% = 2,1011,90
Gorjetas (inteiras)7,004,50
A receber71,80 €52,90 €102,80 €
IVA a entregar ao Estado−40,39
Fica mesmo na casa62,41 €

Os 216,00 € faturados contêm 40,39 € de IVA (216,00 − 216,00 ÷ 1,23). É por isso que a coluna da casa encolhe tanto na última linha.

Contando a comissão sobre o valor sem IVA

JoãoRuiCasa
Serviços92,68 × 55% = 50,9871,54 × 55% = 39,3573,90
Produto11,38 × 15% = 1,719,67
Gorjetas (inteiras)7,004,50
A receber59,69 €43,85 €83,57 €
IVA a entregar ao Estadojá fora
Fica mesmo na casa83,57 €
21,16 € num dia

É o que separa as duas maneiras de fazer a mesma conta, com os mesmos cortes, o mesmo acordo de 55% e a mesma gente. Multiplica por 24 dias: são mais de 500 € por mês a depender de uma frase que costuma não estar escrita.

Repara ainda numa coisa que só se vê quando as gorjetas estão à parte: no primeiro cenário o João leva 71,80 € e a casa fica com 62,41 €. O barbeiro levou mais do que a casa, e a casa ainda tem renda e luz para pagar. Não quer dizer que esteja errado — quer dizer que é uma decisão, e que deve ser tomada com a conta à frente e não no corredor.

07

O fecho do dia: o que se regista, e porquê.

O fecho do dia não é burocracia: é o momento em que os números ainda são verdade. No dia seguinte já são memória, e a memória de duas pessoas cansadas nunca coincide.

O mínimo que tem de ficar registado, serviço a serviço:

  • Quem fez — sem isto não há divisão nenhuma possível.
  • O quê e por quanto — o serviço e o valor efectivamente cobrado, não o de tabela. Se houve desconto, é o valor com desconto que conta (e a regra do desconto tem de estar combinada — ver os erros, mais abaixo).
  • Como pagou — dinheiro, multibanco ou MB WAY. Não é para controlar ninguém: é para no fim do dia a gaveta bater certo com o registo, e para saber quanto do que se recebeu ainda não entrou na conta.
  • Gorjeta, à parte — e a dizer de quem é.
  • Produtos, à parte dos serviços — percentagem diferente, linha diferente.
  • Despesas do dia — o que saiu da caixa: material, um troco que faltou, o café da equipa. A caixa que não regista saídas nunca fecha.

E uma regra de higiene que vale por todas: o fecho faz-se no fim do dia, não no dia seguinte, e nunca de memória. Um dia por fechar contamina o mês inteiro, porque o erro só aparece no acerto e aí já ninguém se lembra de qual foi o dia.

Ao fim do mês, o que o barbeiro tem de receber é uma folha com o detalhe, não só o total: quantos serviços fez, quanto faturou, a percentagem aplicada, as gorjetas e o valor final. Um total sozinho é impossível de conferir — e o que não se pode conferir, discute-se.

08

Os sete erros que dão discussão ao fim do mês.

1. Não estar escrito

Combinado de boca ao balcão, num dia em que estava tudo bem. Não é preciso um contrato de dez páginas: uma folha A4 com a percentagem, a base de cálculo, a regra das gorjetas, a dos produtos e a do bónus, assinada pelos dois, resolve quase tudo. O que ela resolve não é a desconfiança — é o esquecimento, que é bem mais frequente.

2. Não dizer se é com IVA ou sem IVA

Já lá fomos. É o erro mais caro da lista, e é uma frase.

3. Dar aos produtos a percentagem dos serviços

Vender com prejuízo sem dar por isso, e descobri-lo no fim do ano.

4. As gorjetas a entrarem na divisão sem querer

Quase nunca é má-fé: é a gorjeta de multibanco registada como serviço porque veio no mesmo pagamento. O cliente pagou 14 € por um corte de 12 e ninguém separou os 2. Resultado: a casa ficou com 45% de uma gorjeta, e o barbeiro reparou.

5. Descontos sem regra

O corte de 12 € que se fez a 8 porque era o pai de um cliente antigo. A comissão é sobre 12 ou sobre 8? Quem paga o desconto: a casa, o barbeiro, ou os dois na mesma proporção? Não há resposta certa — há a resposta que está escrita e a que não está. O mesmo vale para promoções, cartões de fidelização e cortes a colegas.

6. Dinheiro que não passa pela caixa

O MB WAY para o telemóvel do barbeiro, o cliente que paga na semana seguinte, o corte feito depois de fechar. Cada um destes é uma linha que falta ao fecho, e no dia do acerto ninguém sabe se falta porque não aconteceu ou porque não foi registado. Também é, note-se, dinheiro que não foi faturado — e isso é um problema maior do que a comissão.

7. Entregar um total sem detalhe

“Este mês são 940 €.” O barbeiro não tem como verificar, portanto ou acredita ou desconfia — e ao terceiro mês desconfia sempre, mesmo que a conta esteja certa. Não é o valor que gera a discussão: é a impossibilidade de o conferir.

09

Contrato, recibos verdes e aluguer de cadeira.

Isto é o mapa, não é o conselho

O que se segue serve para saberes que perguntas fazer. Enquadramento laboral e fiscal decide-se com o teu contabilista e, se for caso disso, com um advogado — com o teu caso à frente, que nenhuma página na internet conhece.

Barbeiro contratado. Se cumpre horário da casa, usa o material da casa, atende os clientes da casa e recebe instruções da casa, isto é trabalho subordinado — e a comissão é retribuição variável, que entra no recibo de vencimento, com IRS e Segurança Social. Chamar-lhe recibo verde para poupar contribuições é falso trabalho independente, e o risco (coimas, e o pagamento retroactivo de tudo) é da casa, não do barbeiro.

A comissão entra no subsídio de férias e de Natal? É matéria discutida, e a resposta depende da regularidade da comissão e do que estiver no contrato. A leitura mais corrente é que as comissões não integram esses subsídios, por não serem contrapartida do modo específico de execução do trabalho — mas há decisões judiciais em sentido contrário quando a comissão é regular e representa a maior parte do que a pessoa ganha. É exactamente o tipo de pergunta a fazer ao contabilista antes de assinar, e não em dezembro.

Barbeiro independente / aluguer de cadeira. O barbeiro passa recibo (a chamada actividade aberta nas Finanças), gere os seus horários e paga à casa uma renda. Não há divisão de comissão nenhuma: há uma renda a receber e um serviço prestado. Aqui, o software de gestão da casa não deve estar a dividir dinheiro do barbeiro — deve estar a registar uma renda.

E a faturação. Coisa diferente de tudo isto, e vale a pena dizer porque se confunde: seja qual for o modelo de comissão, a barbearia tem de emitir fatura ao cliente. Acima de 50.000 € de volume de negócios do ano anterior — e também para quem tem contabilidade organizada ou já usa um programa informático de faturação — essa fatura tem de sair de software certificado pela AT. Um programa que faz a conta das comissões não é, nem substitui, um programa de faturação certificada.

Perguntas rápidas

O que me perguntam mais.

Qual é a percentagem de comissão normal para um barbeiro em Portugal?

Não existe percentagem legal nem tabela oficial: é o que as duas partes combinarem. O que se pratica anda entre 40% e 60% do serviço para o barbeiro, com o 50/50 e o 55/45 a serem os mais comuns em barbearias de bairro com equipa pequena. A percentagem sobe quando o barbeiro traz clientela própria e desce quando a casa fornece tudo — material, produto, marcações e publicidade.

A comissão calcula-se sobre o valor com IVA ou sem IVA?

Depende do que estiver combinado, e é daqui que nasce quase toda a discussão. No regime normal, o valor que o cliente paga inclui 23% de IVA que não é dinheiro da casa. Calcular sobre o valor com IVA dá ao barbeiro mais 23% do que calcular sobre o líquido — num corte de 12 € a 55%, são 1,23 € de diferença por corte. As duas formas são legítimas; a que não é legítima é não haver nenhuma escrita. Se estiveres no regime de isenção do artigo 53.º do CIVA, não há IVA e a questão não se põe.

As gorjetas entram na divisão?

Não devem. A gorjeta é de quem a recebeu. Em termos fiscais, as gorjetas não atribuídas pela entidade patronal são rendimento da categoria A tributado autonomamente a 10% em IRS, não estão sujeitas a Taxa Social Única, e declaram-se no quadro 4-A do anexo A com o código 402.

Qual é a comissão que se pratica nos produtos?

Bastante mais baixa do que a dos serviços, porque a casa já pagou o produto. O que se vê é entre 10% e 20% do preço de venda, ou uma parte da margem em vez do preço. Aplicar aos produtos a mesma percentagem dos serviços é das maneiras mais rápidas de vender com prejuízo.

Posso mudar a percentagem a meio do mês?

Tecnicamente sim, na prática não faças isso. Uma mudança de percentagem aplica-se ao mês seguinte, é comunicada antes de começar e fica escrita. Mudar a régua com o jogo a decorrer é a forma mais garantida de perder a confiança da equipa — e num contrato de trabalho há ainda limites legais à redução da retribuição que convém verificares com o contabilista.

Preciso mesmo de um programa para isto?

Com um barbeiro e dez cortes por dia, uma folha de cálculo bem feita chega perfeitamente. O que a folha não faz é impedir que um dia fique por fechar, separar as gorjetas sem alguém se lembrar, ou dar a cada barbeiro o detalhe do mês pronto a entregar. A partir de três pessoas, o tempo que isso come todas as noites costuma passar a valer mais do que o programa custa.

E se isto fosse feito sozinho

Isto tudo, em automático, chama-se Assente.

Escrevi este guia porque foi o que tive de aprender para gerir a minha barbearia. Depois de o aprender, fartei-me de o fazer à mão todas as noites e fiz um programa que o faz por mim.

Registas o corte e ele entra já dividido na percentagem que combinaste. As gorjetas ficam inteiras de quem as recebeu e nunca entram na divisão. Os produtos têm comissão própria. A caixa fecha sozinha à meia-noite, sem depender de alguém se lembrar. E ao fim do mês sai o detalhe de cada barbeiro, pronto a imprimir e a entregar — com o detalhe, não só o total.

Não faz marcações online e não emite faturas certificadas — isso continuas onde estás.

A demonstração abre já, sem conta e sem cartão. Desde 12 €/mês · 14 dias grátis · sem fidelização.

De onde vêm os números desta página

Taxas de IVA e listas do CIVA: gov.pt — IVA em Portugal. Que os serviços de barbearia estão hoje à taxa normal de 23% confirma-se, entre outros, pela petição pública que pede a descida de 23% para 13%.

Regime de isenção e limite de 15.000 € (e a passagem imediata a partir de 18.750 €): artigo 53.º do CIVA, Portal das Finanças.

Tributação das gorjetas (categoria A, taxa autónoma de 10%, sem TSU, quadro 4-A / código 402): Doutor Finanças · idealista/news.

Obrigatoriedade de software de faturação certificado acima de 50.000 €: Cegid Vendus.

Comissões e subsídios de férias e de Natal — leituras em sentido diferente: Antas da Cunha ECIJA, “Comissões — retribuição variável”.

As percentagens praticadas (40–60%, 50/50, 55/45, 60/40) não têm fonte oficial e não estão a ser apresentadas como estatística: é o que se pratica, visto de dentro do sector. Não existe tabela publicada de comissões de barbeiro em Portugal.